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Por uma esperança realista no campo político e econômico

15/09/2017
Por Edison Lemos

Convidado a falar sobre cenários políticos e econômicos do país e seus impactos no agronegócio, o jornalista Ricardo Boechat, do Grupo Bandeirantes de Comunicação, participou do Agroleite 2017 compartilhando um pouco de sua experiência com um auditório de mais de 400 participantes durante o Fórum da Agricultura.

"Quando se está vivendo a crise do nosso tempo é importante olhar para o que a história nos ensina. Nós somos um país com larga experiência em crises. O Brasil foi o último país do mundo a acabar com a escravidão (1888). A história recente registra um presidente que enlouqueceu no exercício do mandato (Delfim Moreira em 1918), um presidente que se suicidou (Getúlio Vargas em 1954), tivemos um presidente que morreu antes da posse (Tancredo Neves). Tivemos uma ditadura (em 1964), que é a excepcionalidade política; tivemos hiperinflação (no governo Sarney, 70% ao mês); tivemos renúncia de um presidente; tivemos dois impeachment, afastamos 2 presidentes; Já demos calote na dívida pública; já tivemos confisco de poupança; fomos parlamentaristas por algum tempo.

Já vivemos muitos traumas na trajetória política do país e passamos por todas elas: sofremos, perdemos, choramos, adiamos sonhos, mas olhando para o nosso passado a história nos diz o seguinte: nós sempre conseguimos ser maiores como nação do que estes traumas que enfrentamos como sociedade", disse Boechat.

E qual é o quadro de hoje?
A tendência, disse o palestrante, é de que o governo Temer fique! E além da reforma trabalhista que já foi aprovada, mas que ainda pode ser modificada no jogo político, Temer não faz a reforma previdenciária, nem tributária. As reformas não serão aprovadas na sua plenitude porque não há condições políticas, o governo não tem apoio para isso. A tendência é que alguma coisa seja aprovada tanto na política quanto na previdência e na tributária, mas sem mexer na essência da questão. Isto porque Temer precisa do argumento de que fez alguma coisa para justificar a existência do seu grupo no governo. Enquanto isso os políticos –desgastados, desacreditados- permanecem na discussão em torno de seu próprio umbigo, tratando da própria sobrevivência num ambiente que lhes é hostil. E assim será até 2018.

O que esperar de 2018?
"Não acredito que surja uma surpresa tipo Bolsonaro, João Dória, Luciano Huck, Silvio Santos, Fernando Henrique Cardoso. Acho que a tendência para 2018 é que as estruturas clássicas (os partidos) façam valer seu peso e sua capacidade de articulação. E que essas estruturas acabem por consagrar os candidatos que efetivamente se tornarão competitivos. Não acredito em Ciro Gomes e Marina Silva. Acredito numa eleição em dois turnos, que vai colocar em confronto a centro/direita (conservadora, liberal) e uma esquerda (social/ populista) como tem sido nos últimos tempos. Isto acontecendo a tendência natural é que Lula seja o candidato do campo da esquerda, e o Geraldo Alkmin pelo campo da direita", disse o palestrante.

Na visão de Ricardo Boechat Lula é beneficiado pelo conjunto a obra (ganhou 4 eleições majoritárias por sua capacidade política); se prevalece de uma estrutura partidária que criou uma linguagem que se identifica com parcela significativa da população e que mantém esses vínculos. O flagelo moral que atingiu o PT também favorece Lula, porque é o mesmo que atingiu o PSDB, PP, PMDB, PDT, PTB,PSB e outros "pês". Então o ex-presidente sai ganhando também com o nivelamento por baixo da classe política.

Fórum da Agricultura - Agroleite

O jornalista diz não acreditar que a justiça afaste Lula da disputa em caso de julgamento em segunda instância no 2º semestre de 2018, caso ele esteja liderando as pesquisas (como acontece atualmente) a poucos meses da eleição. Pelos trâmites diz não ver como essa decisão possa ser tomada antes do 2º semestre do ano que vem. Então há um horizonte que favorece Lula a ser o candidato em 2018. Mas tanto Lula quanto Alkmin, no seu entendimento, não estão livres de surgir algo novo no cenário.

Quanto ao governador paulista Geraldo Alkmin, Boechat o vê como beneficiário da queda dos maiores competidores do centro/direita que foram caindo à sua volta, especialmente Aécio Neves. Na sua visão política, se a eleição de Lula ou de Alkmin, de Bolsonaro, ou da Madonna vier da decisão soberana das urnas não há o que discutir.

Ele entende que não dá para desenhar um cenário trágico para o país. E que mesmo em caso de uma surpreendente eleição de Lula dá para ter esperança no amanhã, porque o Brasil a partir das próximas eleições será outro. O comentarista considera que o país vai avançar, porque a sociedade avançou. Boechat afasta inclusive o risco de uma eventual "venezuelização" do país, como temem alguns, em caso de vitória da esquerda, porque isso implicaria numa adesão das forças armadas, que no caso brasileiro se tiverem de manifestar-se historicamente o fariam para a "direita" e não para a "esquerda".

O quadro econômico
Ao nível econômico o comentarista disse observar indicadores melhores, especialmente com a queda da inflação motivada em grande parte pela recessão. O quadro, segundo ele, mostra que o Brasil está conseguindo enfrentar a crise e vencê-la, apesar do esforço gigantesco que a classe política faz para piorar a situação.

Para ele existe hoje uma dinâmica própria no país que se descola da dinâmica que o jogo político tenta impor ao conjunto da nação. "A nação que estamos vivendo hoje é a dos brasileiros que trabalham, produzem, estão correndo atrás, e a nação do Estado brasileiro, onde estão as corporações funcionais e as quadrilhas políticas que dominam esse Estado. São dois Brasis distintos, descolados", garantiu. Na análise de Ricardo Boechat a eleição de 2018 não poderá produzir nada pior do que o Brasil já experimentou. E a síntese de tudo é manter uma esperança realista no campo político, no campo econômico.
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